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Uma História de Horror VERDADEIRAMENTE Americana - Crítica do episódio 7x01 de AHS

  • 8 de set. de 2017
  • 4 min de leitura

Sarah é Ally Mayfair-Richards, uma mulher cujas fobias engatilham após a noite das Eleições

Fantasmas que ficam presos nos locais onde morreram, bruxas, vampiros, aliens, possessões demoníacas, pessoas imortais, zumbis. Esses são alguns elementos sobrenaturais que a cultura pop e tanto a TV quanto o Cinema de terror tanto amam explorar em suas inúmeras tramas. Em American Horror Story, não poderia ser diferente. O sobrenatural permeia quase toda as temporadas da antologia do terror. A única exceção, ao que tudo indica, é a mais nova temporada, Cult, que estreou terça-feira na FX USA e ontem, no Brasil.




Ao dar uma entrevista, em Fevereiro, Murphy disse que a temporada falaria de política, das eleições de 2016 que colocaram um homem como Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Desde então, muito se especulava sobre como Murphy trataria do assunto, e se Trump e Clinton apareceriam na série de alguma forma.


Em seu sétimo ano, Murphy escolheu um nome já recorrente e amado pelos fãs para ser a protagonista: Sarah Paulson. E, de acordo com a crítica internacional, que já teve acesso aos 3 primeiros episódios, o consenso é de que Sarah ganhará um Emmy. E, se minha opinião vale alguma coisa, devo dizer que, só pela estréia, já é mais que merecido. Sarah interpreta Ally Mayfair-Richards, uma mulher que vê seu mundo desmoronar e suas fobias engatilharem após o terrível resultado (que, por si só, já é uma GRANDE história de horror americana) das eleições. Ela é casada com a chef de cozinha Ivy, e as duas têm um filho de 10 anos, Oz.


Vemos, ainda, logo no começo, uma dicotomia: De um lado, Ivy e Ally, junto com alguns amigos, entram em desespero com a vitória do Republicano. Do outro lado, sozinho, com seu cabelo azul, Kai Anderson (Evan Peters, em um, ao que tudo indica, de seus melhores papéis na carreira e na série) comemora, dizendo que, enfim, a revolução começará.
























Antes da abertura (e que abertura maravilhosa, senhoras e senhores!), somos, ainda, apresentados à mais uma personagem: a irmã de Kai, Winter Anderson (Billie Lourd, uma novata para os fãs de AHS, mas, já conhecida dos fãs de Ryan Murphy e Scream Queens), uma jovem que fez campanha para Clinton e estava em choque com a vitória de Trump. Em um curto diálogo (e bem sinistro, diga-se de passagem) com o irmão, a palavra que permeará toda a temporada é dita: Medo.


Bom, pra mim já estava bem claro e óbvio que me apaixonaria por essa temporada. Eu admiro demais o trabalho do Ryan Murphy e de todo o elenco da série, e política é um tema muito importante e precioso pra mim (não à toa, sou estudante de Ciência Política). E ver tudo isso junto e misturado alegrou meu coração.


E de um ponto de vista crítico, é importante ressaltar a fotografia do episódio, que foi muito bem feita (a cena do supermercado, por exemplo, que foi extremamente bem filmada). O roteiro também merece aplausos. Algo que sempre me incomodou no terror era o uso excessivo de elementos sobrenaturais para disfarçar as falhas, além da burrice que permeava os personagens, para que o roteiro pudesse avançar. Não digo que Murphy foge desses defeitos, mas, em Cult, as coisas ficam bem claras logo de cara, não há um enrolação. E a sensação de claustrofobia e de paranoia enquanto se assiste é maravilhosa (algo que me lembrou bastante os episódios da segunda parte de Roanoke, onde tudo podia acontecer e ninguém estava a salvo).


Em termos de atuação, é bem clichê dizer isso, mas, Sarah Paulson merece todos os prêmios. A forma como ela mergulhou na Ally, e tornou uma mulher tão cheia de fobias em um ser humano real e que o telespectador consegue acreditar é maravilhosa. Ally, se continuar nesse ritmo, tem potencial pra ser uma das melhores personagens da série na conta de Paulson (que tem em sua lista Lana, Sally, Bet e Dot). Evan Peters também merece elogios. Algo que sempre me incomodou em AHS foi o fato de que, depois de ter feito um personagem tão icônico e forte como Tate, Evan passou três temporadas no freezer, com personagens bons, mas simples demais. Até que veio Hotel, e agora, Cult. James Patrick March foi um dos destaques mega positivos da 5ª temporada, e parece que o novo vilão de Peters entrará pra lista de ícones que ele interpretou. As surpresas estão nos novatos: A Ivy de Alison Pill é a coisa mais fofa desse mundo (e minhas experiências com AHS já estão me dando medo do que vem pela frente!) e Oz (Cooper Dodson) tem tudo pra ser uma criança psicopata louca assassina (tá, talvez, nem tanto, mas potencial pra ser um personagem interessante, ele tem). Mas, dos novatos, o destaque merece ir pra Billie Lourd. Quem viu Scream Queens, com certeza se apaixonou pela apática e excêntrica Chanel #3. Em Cult, sua personagem é bastante misteriosa, e Billie parece estar mega confortável no papel, sem nem ao menos apresentar nenhum trejeito de seu trabalho anterior.


No mais, o primeiro episódio agradou bastante. Nunca vi nenhum outro roteirista como Ryan Murphy conseguir tornar situações extremamente absurdas, inusitadas e nem um pouco sutis em situações verossímeis. São essas artimanhas 'ryanmúrficas' que me fazem ser completamente apaixonado pelo trabalho dele e por suas séries.




American Horror Story: Cult passa todas as Quartas-Feiras às 23:59 no canal FX Brasil.






 
 
 

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