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Mulheres de American Horror Story - parte 2

  • 5 de set. de 2017
  • 7 min de leitura

Prosseguindo com o especial da semana de American Horror Story, hoje falaremos de mais duas grandes mulheres da séries: Fiona Goode e Ethel Darling.


Caso você venha do futuro e esteja lendo a parte 2 primeiro, segue o link da parte 1, onde falei sobre Vivien Harmon e Lana Winters:



https://luccafantuzzi.wixsite.com/loucodaseries/singlepost/2017/09/04/Mulheres-de-American-Horror-Story---parte-1


(Alerta de spoilers: LEIA POR SUA CONTA E RISCO!)


Fiona Goode (Jessica Lange) - Coven

"The point is, in this whole, wide, wicked world... The only thing you have to be afraid of is me."

Há quem diga que as quatro personagens interpretadas por Jessica Lange nas 4 temporadas em que a atriz participou têm personalidades parecidas. Eu, pessoalmente, discordo, mas não totalmente, desta afirmação. Acredito que cada uma delas tenha uma individualidade, tanto no roteiro, quanto na própria atuação (magnífica e maravilhosa) da atriz. Mas, alguns elementos se repetem, e, um deles me deixa bastante feliz, não só pela coragem e pela inteligência de Murphy, mas pela forma como Lange imprimiu esse mesmo elemento em suas quatro personagens: Sensualidade. Afinal, estamos em plenos Século XXI e, ainda assim, vemos personagens de idades mais avançadas assumindo uma função que, além de ser quase que figurante (são as mães e avós com praticamente uma fala só e que vivem em torno de seus filhos e filhas que assumem o protagonismo), se aproxima de um puritanismo exarcebado (raramente vemos personagens mais velhos em relacionamentos que não sejam o casamento que gerou a família protagonista). E nenhuma das quatro personagens se aproxima desse puritanismo, pelo contrário, são as protagonistas de suas histórias e têm uma força e um objetivo muito bem definidos.


Mas, sem dúvidas, Fiona Goode é a que leva mais a sério isso. A Suprema do Coven das bruxas de Nova Orleans é uma mulher EXTREMAMENTE (!!!!!) vaidosa e sensual, com um apetite pelo poder e pela beleza e pela juventude quase que insaciável. E isso não é uma opinião minha, pelo contrário: Murphy faz questão de deixar muito claro o objetivo da personagem logo nas primeiras cenas em que ela aparece.


Fiona começa a temporada em busca de um fármaco que pode reverter o envelhecimento. A droga, porém, não está pronta para o uso humano e está em fase de testes ainda. Mas, com o seus poderes, ela convence o médico a lhe fornecer o medicamento. Após alguns dias de uso, ela percebe que o medicamento não está surtindo o efeito e, ao discutir com o médico (que afirma que pedirá demissão, mas não antes de fazer um monólogo sobre como o envelhecimento e a morte são intrínsecos a todos os seres humanos), ela o mata e drena sua vida. Desde a primeira vez que vi essa cena, tive a impressão de que, ao olhar-se no espelho, logo depois de drenar a vida do pobre farmacêutico, Fiona se enxerga envelhecendo e, furiosa, bate com força no seu reflexo, quebrando assim o espelho.


Ao perceber que está ficando mais velha e mais fraca, e menos poderosa, Fiona decide tomar medidas drásticas. Seu objetivo é manter-se como suprema, e manter-se jovem e bonita. Para tal, ela se vê obrigada a infiltrar-se na escola de bruxas de sua filha, Cordelia, para que possa eliminar aquela cujos poderes estão em ascensão, o que estaria causando todos os seus problemas, visto que, quando uma nova suprema surge, a velha começa a morrer e perder seus poderes.


E isso serve não só para evidenciar o objetivo da Suprema, como, também, pra mostrar o principal embate de Fiona. Ela e a filha nunca se deram bem (em determinada cena, por exemplo, Cordelia pergunta, revoltada, para a mãe quando que ela irá morrer e deixará de arruinar sua vida). Eu, pessoalmente, não acho que Fiona odiasse por completo a filha. Ela amava, sim, do jeito perturbado e problemático dela. Mas, à medida que a filha ia crescendo, a mortalidade e o tempo ficavam evidentes e explícitos para Fiona, já que, assim como sua filha que já fora uma criança estava, agora, uma adulta, ela, que já era uma adulta, estava ficando cada vez mais velha. Assim como Fiona era o pior pesadelo e o monstro em cada um dos armários de Cordelia, a recíproca era verdadeira.


Não à toa (acredito que foi uma sacada genial de Murphy), quem acaba se tornando a Suprema que causara todo o envelhecimento de Fiona não é nenhuma das estudantes e, sim, a própria Cordelia. Os poderes dela estavam ali, desde sempre, mas, por medo de envelhecer, Fiona os oprimiu e fez com que sua filha ficasse completamente cega perante ao próprio potencial (Coincidentemente, Cordelia acaba ficando, de fato, cega durante o meio da temporada, recuperando a visão, definitivamente, após reconhecer-se como Suprema).


Mas, além de todo o arco envolvendo poderes mágicos e tal, vemos que Fiona se sentia solitária. Outra sacada genial de Murphy foi, não só mostrar a Fiona mais jovem, como uma 'mean girl' e extremamente sensual, chamando a atenção de homens de diversas idades; mas, também, criar a personagem Madison, uma das alunas de Cordelia, interpretada BRILHANTEMENTE por Emma Roberts. Madison era exatamente igual à Fiona, só que mais nova. Tão vaidosa e solitária e egoísta quanto.


O envolvimento de Fiona com o personagem do Danny Huston (inspirado em um serial killer que realmente existiu nos anos 20 em Nova Orleans) mostra que, enfim, Fiona se sentira amada. Mas, na verdade, ela nunca o amou. Ela era muito egoísta para tal. E ao se ver presa com ele por toda a eternidade em sua versão pessoal de Inferno, ela chegou a conclusão do mais assustador: Sua vaidade, aquilo que a manteve viva durante toda a sua estadia na Terra, acabou sendo seu maior castigo, já que ela nunca envelheceria, mas nunca teria paz para poder, enfim, descansar.


Ethel Darling (Kathy Bates) - Freak Show

"You know what, Doc? I ain't crying 'cause you told me I'm gonna die. I'm crying 'cause you're the first doctor to ever treat me with respect. I just c-can't help thinking my whole life might have gone different if I'd met you sooner."

Antes de começar a falar, devo dizer que Freak Show é uma das minhas temporadas favoritas de American Horror Story. O roteiro, a fotografia, as atuações, as personagens, o tema, a trilha sonora (Jessica Lange cantando Lana Del Rey e David Bowie é minha religião), a abertura... Tudo! Eu via (e ainda vejo) muita gente falar mal da temporada por causa de motivo x ou y, mas, confesso, que nunca me emocionei tanto assistindo algo como me emocionei assistindo à essa temporada.


Dito isso, falemos então sobre ela, a maravilhosa Ethel Darling - também conhecida como Mulher-Barbada. Ethel era uma mulher forte, que sofreu muito durante toda sua vida, mas tinha, de certa forma, encontrado paz no 'Fräulein Elsa's Cabinet of Curiosities'. Elsa era mais do que sua melhor amiga. Ethel a via como uma irmã mais velha, uma figura materna, que cuidava dela e de todas as outras "aberrações" e que fazia de tudo para que todos ali tivessem uma vida digna.


Mãe solteira, ela criou seu filho, Jimmy Darling, praticamente sozinha. Jimmy cresceu bem, mesmo sem aceitar a deformidade de suas "mãos de lagosta", o rapaz se tornou uma espécie de líder respeitável na trupe de Elsa, e um jovem rapaz responsável, na medida do possível.


Sua deformidade era bem simples: Ela tinha uma barba. Tirando isso, ela era completamente "normal". Uma mulher protetora, meio cabeça-dura às vezes, mas com um coração gigantesco e um senso de responsabilidade muito grande. Mas, nada disso existia para os outros, os que nasceram sem nenhuma deformidade. Eles a viam, apenas, como uma aberração.


Ethel, porém, viu toda a sua paz naquele lar que criou ao lado de seus colegas e de seu filho se esvair quando Dell Toledo e sua esposa, Desiree, se juntaram a eles. A chegada dos novos integrantes fez com que os fantasmas do passado de Ethel invadissem sua vida, mais uma vez. Dell era pai de Jimmy, e foi, no passado, marido da Mulher-Barbada.


No episódio de Halloween, ao ter seu trailer visitado pelo espírito de Edward Mordrake e sua trupe fantasmagórica e sinistra, Ethel conta sua história, na esperança de que o espírito tenha piedade. Ela conta que, quando jovem, tinha uma trupe. Sua performance consistia em um show de comédia, onde várias mulheres bonitas apareciam no palco e, no centro, estava ela, com sua barba. Ela dançava e fazia as pessoas rirem. E foi assim que ela acabou conhecendo Dell. Os dois se apaixonaram, ele se tornou seu empresário e sugeriu que ela abandonasse a trupe e começasse a seguir uma carreira solo no drama, ao invés da comédia. A ideia de Dell de fazer com que Ethel performasse monólogos de Shakespeare para audiências de classe alta acabou levando o casal à ruína financeira. Mas, ao ver que Mordrake não estava satisfeito com sua história, querendo ouvir aquilo que, de fato, era extremamente vergonhoso para a mulher, ela decide contar a parte mais sombria e triste de sua vida. Ela e Dell estavam completamente pobres. E ela estava grávida de Jimmy na epoca. Em um ato de desespero, Dell vendeu tickets para que as pessoas pudessem assistir a algo inédito: O parto de uma mulher deformada. Aproveitando que Jimmy nasceu com as mãos deformadas, Dell tirou o bebê das mãos das mulheres que realizaram o parto e começou a cobrar da grande platéia que estava ali, assistindo, para que pudessem tocar no "bebê-monstro".


Diagnosticada com Cirrose por um médico que, diferente de quase todos as outras pessoas, a via como uma mulher normal, Ethel descobre que tem entre 6 meses a um ano de vida, mesmo depois de anos de sobriedade. A descoberta faz com que a mulher volte a beber .


O começo de seu fim acontece logo após ela ouvir um trecho de uma conversa de Elsa com Stanley, um oportunista que tinha como principal objetivo matar as aberrações da trupe e vendê-las para um museu, com o intuito de ficar extremamente rico. O timing não poderia ser pior: uma integrante da trupe, a pequena Ma Petite, tinha sido assassinada poucos dias antes por influência de Stanley, mas pelas mãos de Dell. Ela associa os planos de Elsa de se livrar de pessoas que ofuscavam seu brilho com a morte da pequena integrante e planeja matar a dona da trupe, e cometer suicídio logo em seguida. O plano não dá certo e Elsa acaba matando-a.


Confesso que foi difícil pra mim assistir o fim de Ethel, que era uma das minhas personagens favoritas da temporada. Ela sofreu muito durante toda sua vida, mas foi capaz de criar, sozinha, muito bem seu único filho. Além disso, ela era extremamente protetora, muito mais do que Elsa, inclusive, dos integrantes da trupe. E acabou morrendo pelas mãos da melhor amiga, daquela que ela via como irmã, como mãe. Tudo por causa da ambição e da inveja que Elsa sentia de todos que ofuscassem seu brilho, condições que foram amplificadas pela lábia e pela malícia de Stanley.




 
 
 

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