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Mulheres de American Horror Story - parte 1

  • 4 de set. de 2017
  • 6 min de leitura

E é amanhã! Dia 05 de Setembro está chegando e, finalmente, a 7ª temporada de American Horror Story será apresentada para o mundo. Em seu 7 ano, a antologia que tanto nos entreteu e assustou vai tocar em um ponto bastante polêmico e que, coincidentemente, é minha principal zona de conforto (e área de estudo!): A Política. AHS Cult, apesar de não contar com grandes nomes como a deusa Jessica Lange, ou a gigante Kathy Bates, ou ainda a estrela mais recente que brilhou bastante em seu primeiro ano (e apesar da personagem interessante, não apareceu tanto ano passado), Lady Gaga; vai contar com novatos como Billie Lourd (Scream Queens) e Billy Eichner, mas com os veteranos que tanto amamos, como Sarah Paulson e Evan Peters.


Para celebrar o fato de que falta muito pouco para que nós possamos nos juntar ao culto (ou fugir desesperadamente dele), resolvi escrever um post sobre uma das coisas que mais me encanta no universo de American Horror Story: As personagens! E começaremos pelas damas!


Para não ficar um post gigantesco, vou separar as seis damas da imagens em 3 postagens. Nessa primeira parte, teremos Viven Harmon e Lana Winters.


Obviamente, contém spoilers! Leia por sua conta e risco!




Vivien Harmon (Connie Britton) - Murder House

"I'm finding it really hard to look at your face, because I really, really want to bash it in."


De todas as vítimas da Murder House, Vivien, talvez, tenha sido uma das que menos merecia passar por todo o sofrimento que passou. Além de perder um bebê e ter que lidar com todo o sofrimento que esse aborto instantâneo lhe trouxe, a pobre mulher ainda foi obrigada a ouvir da boca do próprio marido e pai de seus filhos que o fato de ele ter lhe traído com uma de suas estudantes foi de, certa forma, culpa dela.


Numa tentativa de reconstruir sua vida ao lado do marido e da filha, Vivien se muda para uma casa em Los Angeles. Só que ela não imaginava que a decisão de comprar aquela casa seria o começo do fim de sua vida, e a causa de muito sofrimento. No tempo em que esteve viva, ela foi estuprada pelo namorado fantasma e psicopata da filha; atormentada pela ex-amante de seu marido e por sua vizinha de caráter pouco confiável; agredida por um grupo de assassinos 'wanna-bes'; internada em uma clínica psiquiátrica pelo próprio marido-embuste; operada por fantasmas para retirar um bebê natimorto e um suposto anticristo de dentro de seu útero, o que a levou à própria morte.


O fato de Ben não acreditar em uma palavra que tenha sido dita pela esposa sobre as coisas que aconteciam na casa, além de chegar a acreditar que ela estivesse ou louca ou inventando para justificar e esconder uma traição, só mostra que a pior decisão de Vivien, além de decidir morar naquela casa, foi ter se casado com ele em primeiro lugar.


Os telespectadores puderam perceber que ela fugia completamente do padrão de 'mulher frágil' (e isso se deve ao fato de que Ryan Murphy, apesar de todas as falhas e erros que comete, é um dos produtores executivos com a maior capacidade de criar personagens incríveis e fortes para atrizes novatas e experientes). No episódio 2, Vivien foi capaz de proteger a filha e a si mesma da invasão de um grupo de psicopatas, mesmo com a intervenção ex-machina do namorado fantasma e psicopata da filha.


Vivien sofreu e teve um final não tão feliz assim, já que, mesmo que estivesse reunida com sua filha, com seu bebê natimorto que ficara preso na casa assim como todos os outros que morreram dentro do terreno, e com seu marido supostamente arrependido de todas as merdas que cometera, ela não estivesse viva.

Lana Winters (Sarah Paulson) - Asylum

"I'm tough, but I'm no cookie"

Se há um consenso entre a grande maioria dos fãs de American Horror Story e a crítica especializada, é que Lana Winters é, sem dúvidas, uma das personagens mais fortes e incríveis da carreira de Sarah Paulson. A própria atriz já deixou claro que é uma das suas personagens favoritas e que estava crente de que ganharia o Emmy por sua performance.


Lana era uma repórter lésbica nos anos 60. Se hoje em dia, já é difícil viver na sociedade sendo membro de qualquer uma das siglas do movimento LGBT, imagina na época em que qualquer orientação sexual que não fosse a hétero era vista como doença mental e perversão. E é justamente por esse fato, e por se mostrar uma ameaça para a Igreja Católica que dominava o sanatório Briarcliff, que ela é internada contra a vontade na instituição.


Ela foi obrigada a passar por uma série de abusos (como terapias de eletrochoque COMPLETAMENTE desnecessárias, com o objetivo de prejudicar sua memória para que caso conseguisse, algum dia, sair dali, não seria capaz de denunciar os maus-tratos e as condições insalubres das quais todos os internos eram submetidos). Em uma cena extremamente perturbadora, Lana foi submetida à uma terapia de reorientação sexual, sugerida pelo psiquiatra "bem-intencionado" Oliver Thredson, onde ela foi obrigada a ver fotos de mulheres enquanto era aplicada em seu corpo doses de Apomorfina (o objetivo era causar náuseas e enjoo e associá-los às fotos como se tais condições fossem causadas pelas imagens, e não pela droga). Outra parte do tratamento envolvia uma ação prática: Lana teve que se masturbar com uma mão, enquanto tocava no pênis de um paciente, para que associasse o seu prazer ao fato de estar tocando em um homem.


Como se tudo isso já não fosse bastante, Lana consegue escapar do sanatório junto com Thredson, apenas para descobrir que o psiquiatra era, na verdade, o verdadeiro 'Bloody Face' - o serial killer que estava matando e esfolando mulheres, e que, coincidentemente, foi a causa de Lana parar no sanatório, já que a prisão e internação do suposto assassino a levaram até Briarcliff. Presa nas mãos do psicopata, Lana foi estuprada e teve sua vida ameaçada diversas vezes, além de ter que aturar um discurso bizarro e perturbador do homem.


Ao decidir lutar pela sua vida, Lana consegue escapar, e acaba pegando carona com um motorista que passava por ali no momento. Tudo parecia estar bem, mas estamos falando de Ryan Murphy e, ainda por cima, de uma personagem de Sarah Paulson. Claro que mais sofrimento estaria por vir. O motorista faz um monólogo, dizendo que todas as mulheres eram vagabundas infiéis e que ele tinha certeza de que Lana tinha traído o namorado (Ele não acreditou em uma vírgula que a repórter lhe disse sobre o psicopata do Thredson e achava que ela estava fugindo de um ex-namorado enfurecido por ter sido traído). O motorista dá um tiro na própria cabeça e o carro acaba batendo. Lana sobrevive, porém, vai parar, novamente, em Briarcliff.


O sofrimento de Lana estava muito longe de acabar. Thredson volta ao sanatório e quase a mata, mas acaba sendo atacado por Kit . Logo depois, ela descobre, graças à Mary Eunice (que estava possuída por uma entidade maligna), que estava grávida. Ela tenta abortar, mas não tem coragem. Com a ajuda de Kit, os dois fazem Thredson acreditar que ela cometeu o aborto, e gravam a confissão dele. Por conta de uma série de eventos conseguintes, Lana acaba conseguindo fugir do Briarcliff pra sempre e denuncia Thredson para a polícia, mas acaba matando-o antes que ele fosse preso. Sua gravidez chega ao fim, e, com muita dificuldade, ela amamenta o filho. Por não conseguir ficar com o bebê por conta de todo o sofrimento pelo qual passou, ela o entrega para a adoção.


Lana se torna uma jornalista respeitada após escrever o livro Maniac: One Woman's Story of Survival, onde ela conta tudo o que passou nas mãos do psicopata (mas adiciona alguns toques dramáticos para aumentar as vendas, e deixa alguns detalhes de fora, como a intimidade e seu relacionamento lésbico com a professora Wendy, que fora morta por Thredson no começo da temporada. Além disso, alguns anos após o lançamento de seu livro, Lana realizou uma espécie de documentário, que expôs toda a sujeira de Briarcliff - as terapias de eletrochoque extremamente arbitrárias, os experimentos desumanos, os maus tratos, a insalubridade e a PÉSSIMA gestão por parte dos integrantes da Igreja Católica. O documentário foi um grande sucesso e forçou não só o fechamento da Instituição, como também foi a causa da queda (MAIS QUE MERECIDA) de um dos maiores embustes da temporada: Monsenhor Timothy Howard.


Lana ainda teve que passar por mais uma provação: Teve sua vida ameaçada pelo filho. Johnny Morgan, uma espécie de 'Bloody Face wanna-be', descobriu todo o seu parentesco com a repórter e o Psicopata / Psiquiatra / Seria Killer / Esfolador, e foi até o apartamento de sua mãe, com o objetivo de matá-la para honrar a morte de seu pai, mas não consegue. Lana, então, faz a única coisa possível: se livra do seu filho, da mesma forma que se livrou do pai dele: Com um tiro na cabeça.


Lana sofreu bastante, mas sobreviveu. Sobreviveu aos abusos, à tortura, à lesbofobia que sofreu, às ameaças de morte, ao estupro, ao Briarcliff. Pode-se dizer que o sucesso e a ambição subiram-lhe a cabeça. Mas, isso não a torna um monstro. Ela era uma humana, com defeitos e qualidades. A ambição e a força a mantiveram viva durante sua estadia na Instituição, e seu cárcere nas mãos do Bloody Face. E é, sem dúvidas, uma das personagens mais bem escritas de Murphy.



 
 
 

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